Revelação do Mundial de 1986, chegou a ser referência entre os médios esquerdos na Europa, mas já passou em Portugal na fase descendente da carreira e sem chegar a convencer ninguém. Ficaram os nove jogos pelo Vitória SC.
2018-01-17

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1983

Vervoort era um daqueles jogadores de passada larga e fôlego inesgotável a quem um pontapé forte e certeiro dava o acréscimo de qualidade para se impor em qualquer relvado. Foi isso que lhe valeu, aos 21 anos, a menção como uma das revelações do Mundial’86, no qual a Bélgica chegou às meias-finais. As lesões sucessivas, no entanto, levaram a que a sua carreira entrasse em fase descendente apenas cinco anos depois. Quando passou por Portugal, como reforço de inverno do Vitória SC, em inícios de 1997, já era uma sombra do jogador vigoroso que prometera vir a ser. E foi naturalmente recambiado.

A carreira de Partrick Vervoort começou entre polémicas: era uma das referências das camadas jovens do Beerschot e da seleção belga quando o clube foi despromovido na sequência de um caso de corrupção. Vervoort chegou à formação principal ainda com 17 anos, na época em que o clube da região de Antuérpia regressou à I Divisão e logo na segunda metade desse primeiro campeonato se impôs como titular. Os primeiros três anos passou-os a lutar para evitar nova descida, mas em 1985/86 a equipa já tinha um nível superior e ficou apenas a três pontos de uma vaga europeia. Em Abril, na preparação para o Mundial que aí vinha, Guy This deu-lhe a primeira internacionalização, colocando-o a lateral esquerdo num jogo em Bruxelas contra a Bulgária, que os belgas ganharam por 2-0. Vervoort aproveitou a oportunidade e assegurou um lugar na lista de convocados para o México, onde os belgas chegaram às meias-finais, nde caíram face à Argentina.

O estatuto de titular da seleção, que Vervoort assegurou a partir do terceiro jogo da fase de grupos do Mundial, levou a que o Beerschot se tornasse demasiado pequeno para ele. Assim sendo, em 1987 o lateral mudou-se para o Anderlecht, onde conheceu os melhores anos da sua carreira. Não chegou para ser campeão belga, que nos três anos que passou em Bruxelas o domínio caiu para os lados do Club Brugge e do KV Malines, mas ainda lhe permitiu ganhar duas finais da Taça da Bélgica: em 1987/88 Georges Leekens utilizou-o na esquerda do meio-campo nos 2-0 ao Standard Liège e em 1988/89 Raymond Goethals colocou-o como médio defensivo na repetição do resultado do ano anterior. Em 1990, depois de jogar o seu segundo Mundial, Vervoort deixou o Anderlecht, seguindo com Gudjohnsen para jogar no Girondins de Bordéus, em França. Ainda fez um bom campeonato, foi mesmo o melhor marcador da equipa, com sete golos, mas o balanço coletivo foi miserável: décimo lugar na tabela e descida administrativa de divisão devido a irregularidades financeiras.

O rendimento de Vervoort ainda lhe permitiu chegar ao campeonato de Itália, que na altura era o mais apetecido do Mundo. Entrou pela porta pequena, assinando pelo modesto Ascoli, mas queria grandeza: as aspirações reveladas no início da época acabaram por ser virar contra ele quando se tornou uma das grandes desilusões de uma equipa que terminou destacadíssima em último lugar da tabela. Vervoort deixou então de ser chamado para a seleção… com 26 anos. Ainda ensaiou o regresso a casa, assinando pelo Standard Liège, onde estava o seu ex-colega de seleção e do Anderlecht Stephane Demol, mas as lesões nunca lhe permitiram ter continuidade. Fez 25 jogos no campeonato de 1992/93, falhando no entanto a final da Taça da Bélgica, em que o Standard venceu o SC Charleroi. Baixou para os 12 jogos em 1993/94 e, após cinco presenças na equipa em 1994/95 foi dispensado, assinando pelo RKC Waalwijk, da Holanda. Como ali também não foi presença regular, apareceu em Portugal no inverno de 1996/97, à procura do fulgor perdido.

A estreia no Vitória SC, a 8 de Dezembro de 1996, foi logo bombástica. O jogo era de alto nível: visita ao Benfica, em partida da quarta eliminatória da Taça de Portugal. Jaime Pacheco deu ao belga a lateral esquerda e, depois de estar a perder por 2-0, o Vitória ainda chegou ao empate, forçando o prolongamento. Aí, logo a abrir, João Pinto marcou o 3-2 para o Benfica e, a oito minutos do final, Lucílio Batista mostrou-lhe o segundo cartão amarelo, deixando os minhotos reduzidos a dez homens em busca dos penáltis. Vervoort regressou à equipa um mês depois, estreando-se no campeonato a 4 de Janeiro de 1997, com uma derrota por 3-1 nas Antas, frente ao FC Porto, e até pôde vingar o desaire na Luz, jogando os 90 minutos na vitória por 1-0 frente ao Benfica, em meados desse mês. Parecia lançado, mas nova lesão chamou-o de volta à Terra. Três meses depois, voltou para mais cinco jogos, série interrompida da maneira de sempre: aos 15 minutos do Vitória SC-Marítimo, a 2 de Maio de 1997, saiu lesionado, sendo substituído por Ricardo Lopes. Era a última vez que jogava pelo Vitória SC.

Patrick Vervoort ainda passou uma época na II Divisão francesa, no SC Toulon, mais uma vez ao lado de Demol, e viria a encerrar a carreira no terceiro escalão belga, ao serviço do KFC Schoten, que veio depois também a treinar. Deixou, porém, a carreira de treinador para abraçar a de agente de jogadores, tendo chegado a representar os interesses, por exemplo, de Moussa Dembelé.