Um dos filhos do Reina que chegou a capitanear o Olhanense na I Divisão, Luís Reina defendeu o clube da terra, mas foi em Portimão que mais se destacou.
2016-08-10

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1981

Os Reina, já se sabe, aparecem sempre aos pares. Na geração anterior, Henrique Efigénia e o seu irmão António, ambos conhecidos pela alcunha real, andaram por vários clubes algarvios, tendo o primeiro sido uma das figuras do Olhanense das décadas de 60 e 70. Luís e João, ambos Efigénia de nome e Reina de alcunha, tomaram conta do testemunho nos anos 80 e 90. O mais velho, Luís, era um extremo esquerdo rápido e tecnicista, com faro de golo e apetite pelo trabalho de sapa, a quem Manuel José deu destaque no ano em que conduziu o Portimonense à primeira qualificação europeia da sua história. Belenenses e Sp. Braga completaram o percurso de Luís Reina na I Divisão, deixando-lhe ainda mais uma década de futebol até se despedir dos campos a jogar e a treinar o Sambrasense, do distrital algarvio.

Os dois irmãos começaram a jogar pelo Quarteirense, clube do Algarve onde o pai, Henrique, acabou a carreira. Depressa se guindaram ao Olhanense, clube da família. E dali se contaram histórias de proezas que os levaram a ambos aos juniores do Benfica. Luís foi mesmo internacional em sub19. Não passaram no crivo que separa os meninos dos craques para o plantel profissional e, em 1980, já Luís estava de volta ao Olhanense, para jogar a III Divisão, onde o clube caíra. Um ano depois, já com a companhia do irmão, fez 14 golos na subida ao segundo escalão, onde passou mais duas épocas, precisamente até que Manuel José os foi buscar aos dois, para vestirem a camisola do Portimonense. A 26 de Agosto de 1984, logo na primeira jornada desse campeonato, Luís estreou-se oficialmente pelo novo clube, entrando a 35 minutos do fim para o lugar de Carvalho, de forma a dar mais poder ofensivo ao flanco esquerdo. E resultou: o Portimonense, que perdia por 2-1 em casa com o Salgueiros, levou apenas um quarto-de-hora a virar para 4-2, tendo Luís Reina feito a assistência para o terceiro golo dos da casa, marcado por Balacó.

À segunda presença, a 2 de Setembro, surgiu o primeiro golo, a valer uma vitória por 2-1 em casa sobre o Rio Ave. Manuel José não precisou de mais para dar a titularidade a este canhoto algarvio, que nessa primeira época contribuiu com quatro golos e oito assistências para a quinta posição na tabela final. Era a primeira qualificação de uma equipa do Algarve para uma competição europeia. A 18 de Setembro de 1985, Luís Reina lá estava no onze escolhido pelo ex-colega Vítor Oliveira – que substituíra Manuel José, a caminho do Sporting – para o jogo com o Partizan, em Portimão. Os algarvios ainda ganharam por 1-0, mas não resistiram na segunda mão em Belgrado, de onde saíram vergados a um 4-0 que os eliminou. Nessa segunda época, Luís Reina já foi dividindo a esquerda do meio-campo com Freire, um ex-sportinguista que chegou do V. Setúbal. E na terceira, sobretudo depois de Vítor Oliveira ser substituído pelo brasileiro Paulo Roberto, cedeu a vaga a Forbs, que estava em Portimão por empréstimo do Sporting. Ainda assim, no final da temporada, assinou pelo Belenenses de Marinho Peres.

No Restelo, depois de uma boa primeira metade da época – jogou os últimos 36 minutos numa vitória por 1-0 frente ao Barcelona, na Taça das Taças, em Setembro de 1987, na busca de um segundo golo que levasse o jogo para prolongamento – foi-se apagando. Seguiu por isso para Braga, onde a história se repetiu: oito das nove presenças que somou na equipa minhota aconteceram até Novembro de 1988. A nona, que acabou por ser a sua despedida da I Divisão, valeu-lhe também o último golo no campeonato, a assegurar o empate (1-1) da equipa de Vítor Manuel em Chaves, a 14 de Maio de 1989. Luís Reina passou ainda pelo Felgueiras e pelo Recreio de Águeda, antes de voltar ao Algarve, em 1991. A descida para a II Divisão B levou-o a terminar a carreira ainda um patamar mais abaixo, no Sambrasense, clube que representou como jogador e mais tarde na qualidade de jogador-treinador, até nos distritais.